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Jornalistas lideram preferência para conteúdo eleitoral nas redes sociais

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Jornalistas lideram preferência para conteúdo eleitoral nas redes sociais
Jornalistas lideram preferência para conteúdo eleitoral nas redes sociais

Jornalistas lideram preferência para conteúdo eleitoral nas redes sociais. Datafolha mostra que veículos e jornalistas lideram o contato com conteúdo eleitoral nas redes, enquanto candidatos, influenciadores e WhatsApp também avançam.

Os perfis de veículos de comunicação e de jornalistas continuam ocupando posição central na circulação de conteúdo eleitoral nas redes sociais brasileiras. É o que mostra uma pesquisa Datafolha realizada nos dias 1º e 2 de setembro de 2026, em meio à campanha para as eleições gerais de outubro.

Entre os entrevistados que possuem contas em redes sociais, 57% disseram ter visto conteúdos relacionados às eleições nas semanas anteriores à pesquisa. Dentro desse grupo, 75% afirmaram ter encontrado publicações eleitorais em perfis de veículos jornalísticos. Outros 71% relataram contato com esse tipo de material por meio de contas de jornalistas.

Os perfis de candidatos apareceram logo depois, mencionados por 69% das pessoas expostas a conteúdo eleitoral. Publicações feitas por amigos ou familiares chegaram a 65%, enquanto influenciadores foram citados por 61%. Grupos de WhatsApp ou Telegram alcançaram 47% desse público.

Os resultados contrariam a percepção de que candidatos, influenciadores e grupos privados teriam substituído completamente a imprensa como principal porta de entrada para a informação política nas plataformas digitais. Ao mesmo tempo, os números mostram que a comunicação eleitoral está distribuída entre diferentes tipos de emissores, com forte participação de atores que não pertencem às redações profissionais.

A pesquisa oferece informações relevantes para veículos de comunicação, jornalistas, campanhas políticas e profissionais de marketing digital. Ela também ajuda a compreender como os eleitores encontram notícias, opiniões, vídeos, discursos, recortes de entrevistas e materiais de campanha em um ambiente no qual conteúdos de origens distintas aparecem lado a lado.

Maioria dos usuários teve contato com conteúdo eleitoral

O primeiro dado necessário para interpretar a pesquisa é que os percentuais sobre as fontes não se referem a todos os brasileiros entrevistados. O levantamento perguntou inicialmente aos participantes que possuem contas em redes sociais se haviam visto conteúdos eleitorais nas semanas anteriores.

Nesse grupo de usuários, 57% responderam positivamente. Portanto, os percentuais de 75%, 71%, 69%, 65%, 61% e 47% foram calculados entre as pessoas que disseram ter encontrado publicações sobre a eleição.

Essa diferença de base precisa ser preservada para evitar a conclusão equivocada de que 75% de todos os entrevistados viram conteúdo eleitoral em contas de veículos jornalísticos. O resultado correto é que três quartos dos usuários que declararam exposição a publicações eleitorais disseram ter encontrado esse material em perfis mantidos por organizações de imprensa.

O levantamento ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades brasileiras nos dias 1º e 2 de setembro. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela TV Globo e pela Folha de S.Paulo e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR 03669/2026.

O registro no TSE integra o sistema de transparência exigido para pesquisas eleitorais. Isso permite consultar informações como contratante, instituto responsável, metodologia, período de realização, tamanho da amostra e plano amostral.

Jornalistas lideram preferência para conteúdo eleitoral nas redes sociais. Percentuais não podem ser somados

Outro cuidado indispensável é compreender que as fontes mencionadas na pesquisa não são excludentes. O mesmo eleitor pode ter visto conteúdo em um perfil jornalístico, em uma conta de candidato, em um vídeo publicado por um influenciador e em uma mensagem encaminhada por um familiar.

Por essa razão, os percentuais não devem ser somados como se representassem partes separadas de um único total. O levantamento descreve a variedade de caminhos pelos quais os entrevistados se lembram de ter recebido conteúdo político.

Uma reportagem publicada por um veículo, por exemplo, pode ser republicada por um jornalista, compartilhada por um candidato, comentada por um influenciador e enviada a um grupo de WhatsApp. O conteúdo continua tendo origem jornalística, mas alcança o eleitor por diferentes intermediários.

O movimento inverso também ocorre. Uma declaração divulgada originalmente por um candidato pode ser noticiada pela imprensa, analisada por jornalistas e recortada por influenciadores. Na percepção do usuário, nem sempre é simples identificar onde aquela informação surgiu e qual conta foi responsável por colocá-la em sua tela.

Essa sobreposição é uma característica estrutural das redes sociais. A circulação política não segue uma linha única entre emissor e público. Uma publicação pode ser copiada, comentada, editada, transformada em vídeo ou retirada de seu contexto original em poucas horas.

Veículos jornalísticos ainda preservam alcance relevante

O fato de 75% dos usuários expostos a conteúdo eleitoral mencionarem perfis de veículos indica que organizações jornalísticas ainda mantêm capacidade expressiva de distribuição nas plataformas.

Esse resultado é relevante porque a imprensa disputa atenção com campanhas profissionais, celebridades digitais, páginas de opinião, canais partidários e conteúdos enviados por pessoas próximas. Mesmo diante dessa competição, os perfis jornalísticos permaneceram como a categoria mais citada.

As contas de jornalistas, mencionadas por 71%, também aparecem acima dos perfis de candidatos e influenciadores. Isso sugere que a presença individual dos profissionais se tornou uma extensão importante do trabalho desenvolvido pelas empresas de comunicação.

Jornalistas publicam links, vídeos, análises, transmissões, bastidores e explicações diretamente em suas contas. Em alguns casos, desenvolvem uma audiência própria que acompanha seu trabalho independentemente do veículo ao qual estão vinculados.

Essa personalização pode aproximar o público da cobertura, mas também exige clareza sobre a natureza de cada publicação. Reportagem, análise, comentário pessoal e conteúdo patrocinado possuem funções diferentes. Quando aparecem no mesmo fluxo, essas fronteiras podem se tornar menos evidentes para parte dos usuários.

O resultado do Datafolha não mede confiança, credibilidade ou concordância. Ter visto uma publicação de um veículo não significa necessariamente acreditar nela, aprová-la ou compartilhar suas conclusões. O levantamento mede contato declarado, não avaliação de qualidade.

Ainda assim, aparecer como principal origem lembrada de conteúdo eleitoral mostra que a imprensa continua inserida no cotidiano digital de uma parcela significativa dos eleitores.

Candidatos possuem canais próprios de comunicação

Os perfis de candidatos foram mencionados por 69% dos usuários que viram conteúdo eleitoral. A diferença em relação às contas jornalísticas é relativamente pequena, o que evidencia a força da comunicação direta nas campanhas de 2026.

Redes sociais permitem que candidatos apresentem propostas, respondam a adversários, publiquem agendas e transmitam discursos sem depender da mediação de uma entrevista ou reportagem. Esse acesso direto pode ampliar a velocidade da comunicação e facilitar a mobilização de apoiadores.

Ao mesmo tempo, publicações de campanha possuem finalidade persuasiva. Elas procuram construir uma imagem favorável do candidato, selecionar os temas de maior interesse estratégico e disputar a interpretação dos acontecimentos.

Isso não torna o conteúdo automaticamente falso ou irrelevante. Significa apenas que sua origem e seu objetivo precisam ser considerados pelo eleitor. Uma proposta publicada pela própria campanha é uma fonte válida para saber o que o candidato promete, mas não substitui a verificação sobre viabilidade, custos, impactos e histórico político.

Para as campanhas, o percentual de 69% confirma que manter presença digital deixou de ser apenas uma atividade complementar. Os perfis oficiais participam diretamente do ambiente informacional no qual os eleitores formam impressões sobre os concorrentes.

Amigos e familiares também influenciam a circulação

As publicações de amigos ou familiares foram citadas por 65% dos entrevistados expostos a conteúdos eleitorais. O dado mostra a importância das relações pessoais na distribuição de informação política.

Quando um conteúdo é compartilhado por alguém conhecido, ele pode receber uma camada adicional de confiança ou proximidade. Uma reportagem, propaganda ou opinião enviada por um familiar não chega ao destinatário apenas como material político. Ela também carrega o peso da relação entre as pessoas envolvidas.

Essa dinâmica ajuda a explicar por que informações eleitorais ultrapassam os perfis diretamente ligados à política. Usuários comuns funcionam como distribuidores, selecionando o que consideram importante, convincente, curioso ou indignante.

O compartilhamento pessoal também pode ampliar conteúdos sem contexto. Recortes de vídeos, imagens antigas, manchetes incompletas e alegações não verificadas podem circular porque confirmam uma opinião anterior ou provocam reação imediata.

Para redações e campanhas, isso significa que a mensagem publicada em um perfil oficial frequentemente será vista fora de sua apresentação original. Título, imagem, legenda e explicação precisam ser compreensíveis mesmo quando o conteúdo chega por meio de uma captura de tela ou de um encaminhamento.

Influenciadores têm presença expressiva

Os influenciadores foram mencionados por 61% das pessoas que viram publicações eleitorais. Embora estejam abaixo dos veículos, jornalistas e candidatos, eles alcançam uma parcela ampla do público.

A categoria inclui perfis com diferentes especialidades, tamanhos e vínculos. Há influenciadores dedicados à política, economia ou direito, mas também criadores de entretenimento, humor, comportamento e outros temas que passam a comentar a eleição.

A influência não depende apenas da quantidade de seguidores. Frequência de publicação, identificação com a audiência, linguagem utilizada e capacidade de gerar compartilhamentos também interferem na distribuição.

Criadores podem traduzir assuntos complexos para formatos mais curtos e acessíveis. Também podem apresentar opiniões e campanhas de maneira menos formal. Essa proximidade ajuda a explicar sua relevância, especialmente entre públicos que não acompanham diariamente programas jornalísticos ou páginas de política.

Por outro lado, nem todos seguem padrões editoriais de verificação, correção e transparência. A distinção entre opinião espontânea, publicidade, apoio político e conteúdo financiado pode não estar clara em determinadas publicações.

O dado do Datafolha reforça a necessidade de acompanhar influenciadores como participantes efetivos da comunicação eleitoral, sem tratá-los como substitutos integrais do jornalismo ou como um grupo homogêneo.

Eleitores de Flávio Bolsonaro relatam maior exposição a influenciadores

A pesquisa encontrou diferenças entre os eleitores que declararam intenção de votar em Flávio Bolsonaro e aqueles que disseram apoiar Lula.

Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 68% afirmaram ter visto conteúdo eleitoral em perfis de influenciadores. Entre os eleitores de Lula, o percentual foi de 55%.

A diferença também apareceu nos aplicativos de mensagens. Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, 55% relataram contato com publicações eleitorais em grupos de WhatsApp ou Telegram. Entre os eleitores de Lula, o resultado foi de 43%.

Os resultados não demonstram que uma única plataforma ou categoria tenha provocado a preferência por determinado candidato. A pesquisa identifica associação entre intenção de voto e exposição declarada, mas não estabelece uma relação direta de causa.

É possível que comunidades políticas já formadas escolham fontes compatíveis com suas preferências. Também é possível que os algoritmos recomendem mais conteúdos semelhantes aos que o usuário costuma visualizar, curtir ou compartilhar.

Grupos de mensagens possuem uma dinâmica diferente da encontrada em redes abertas. O conteúdo costuma circular em espaços privados ou semiprivados, nos quais a fiscalização externa, a pesquisa acadêmica e a verificação pública encontram maiores dificuldades.

Essa característica torna WhatsApp e Telegram especialmente relevantes para campanhas interessadas em mobilização, distribuição regional e relacionamento com apoiadores. Também cria desafios para o acompanhamento de desinformação e propaganda irregular.

Eleitores fora dos dois polos recorrem mais ao jornalismo

Entre os eleitores que não se identificam com o bolsonarismo nem com o petismo, 81% disseram ter visto conteúdo eleitoral em perfis de veículos jornalísticos. Outros 74% mencionaram contas de jornalistas.

Nesse grupo, apenas 39% relataram contato com publicações eleitorais em grupos de WhatsApp ou Telegram.

O resultado sugere que eleitores fora dos dois principais campos políticos encontram mais conteúdo por meio de canais jornalísticos e menos por redes fechadas de mensagens. Essa interpretação, porém, deve ser tratada como indicação, pois a pesquisa não mede toda a rotina de consumo informacional de cada entrevistado.

Também não é possível concluir que esses eleitores sejam mais ou menos informados. A categoria reúne pessoas com preferências diferentes, eleitores de outros candidatos, indecisos e participantes que não se posicionam dentro da polarização entre Lula e a família Bolsonaro.

Para os veículos de comunicação, a presença de 81% nesse grupo representa uma oportunidade editorial. Eleitores menos vinculados aos principais polos podem procurar comparação de propostas, explicação de regras, verificação de declarações e cobertura de candidaturas com menor presença digital.

Pesquisa mede lembrança, não audiência registrada

Os resultados foram obtidos por meio das respostas dos entrevistados. Isso significa que a pesquisa mede lembrança declarada de exposição.

Ela não utiliza os dados internos de alcance do Instagram, Facebook, TikTok, Kwai, WhatsApp, Telegram ou outras plataformas. Também não verifica automaticamente quais publicações apareceram na tela de cada pessoa.

Memória, interpretação e reconhecimento da origem do conteúdo podem influenciar as respostas. Um entrevistado pode lembrar de uma reportagem vista no perfil de um influenciador e classificá-la de acordo com quem compartilhou, não com o veículo que produziu o material.

Da mesma forma, jornalistas com grande presença digital podem ser percebidos como influenciadores por alguns usuários. Contas de opinião podem ser confundidas com veículos, enquanto páginas administradas por campanhas podem não ser identificadas imediatamente como oficiais.

Essas limitações não anulam os resultados. Elas apenas delimitam o que pode ser concluído. O levantamento informa como os próprios eleitores descrevem seu contato recente com conteúdo eleitoral.

Para medir alcance efetivo, frequência, tempo de visualização e engajamento, seria necessário acessar dados detalhados das plataformas. Mesmo essas métricas exigiriam interpretação, pois visualizar uma publicação por poucos segundos não significa compreendê-la ou concordar com ela.

O que muda para as redações

Para os veículos jornalísticos, a liderança representa uma vantagem relevante, mas não garante domínio sobre a circulação das notícias. O conteúdo produzido pelas redações disputa espaço com mensagens partidárias, comentários pessoais e materiais feitos para estimular reações imediatas.

A pesquisa mostra que manter perfis atualizados e adaptar reportagens aos formatos das plataformas continua sendo necessário. Uma parcela significativa do público encontra a cobertura eleitoral diretamente nas redes, sem acessar inicialmente a página principal de um portal.

Esse comportamento exige títulos claros, contexto suficiente, identificação das fontes e correções visíveis. Vídeos curtos e cards precisam preservar as informações essenciais da reportagem, especialmente quando podem ser compartilhados sem o link original.

Também se torna importante diferenciar notícia, análise e opinião. Em um ambiente no qual jornalistas mantêm contas pessoais com grande alcance, a transparência editorial contribui para que o usuário compreenda a natureza do conteúdo recebido.

A liderança dos perfis jornalísticos não elimina a competição. Influenciadores, candidatos e usuários comuns podem publicar com maior frequência e utilizar linguagens mais emocionais. A imprensa precisa combinar velocidade, precisão e apresentação adequada às plataformas.

O que os números indicam para as campanhas

Para campanhas políticas, o levantamento sugere que a estratégia digital não pode depender de um único canal. Perfis oficiais possuem alcance relevante, mas o conteúdo também chega por jornalistas, veículos, apoiadores, influenciadores e grupos privados.

A presença da imprensa como principal categoria citada reforça a importância da cobertura jornalística para a formação da agenda eleitoral. Entrevistas, debates, declarações, investigações e verificações produzidas pelas redações continuam interferindo no que circula nas plataformas.

Influenciadores e aplicativos de mensagens parecem ter peso diferente conforme o público político. A maior exposição relatada por eleitores de Flávio Bolsonaro nesses canais indica que estratégias de comunicação precisam considerar hábitos específicos de cada segmento.

Isso não autoriza campanhas a tratar grupos fechados como espaços sem regras. A propaganda eleitoral nas redes está sujeita à legislação, às normas da Justiça Eleitoral e às políticas das plataformas. Conteúdos financiados, impulsionamentos e identificação de responsáveis possuem exigências próprias.

Jornalismo lidera, mas o ambiente está fragmentado

A principal conclusão do Datafolha é que perfis jornalísticos continuam liderando o contato declarado dos brasileiros com conteúdo eleitoral nas redes sociais. Veículos foram citados por 75% das pessoas expostas a esse material, enquanto jornalistas chegaram a 71%.

A vantagem, entretanto, convive com a presença elevada de candidatos, amigos, familiares e influenciadores. Nenhuma dessas categorias atua isoladamente, e um mesmo conteúdo pode circular por todas elas.

WhatsApp e Telegram aparecem com percentual menor no conjunto pesquisado, mas demonstram maior presença entre eleitores de Flávio Bolsonaro. Entre os eleitores fora dos polos liderados por Lula e pelo bolsonarismo, os veículos jornalísticos alcançaram o maior resultado.

Os números não demonstram confiança, influência sobre o voto ou impacto causal. Também não representam dados técnicos de alcance fornecidos pelas plataformas. Eles mostram quais fontes os eleitores se lembram de ter encontrado.

Para as redações, o resultado confirma que o jornalismo permanece relevante na informação eleitoral digital. Para as campanhas, revela que perfis próprios e redes de apoiadores precisam conviver com a mediação jornalística. Para o público, evidencia que a informação política chega por canais sobrepostos, com objetivos, métodos e responsabilidades diferentes.

A imprensa não foi substituída pelas redes sociais. Ela passou a disputar espaço dentro delas, ao lado de candidatos, influenciadores e relações pessoais que participam cada vez mais da circulação eleitoral.

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